Porque pornografia importa para feministas

Por Andrea Dworkin
Tradução Veggie Grrrl
Pornografia é uma questão essencial porque a pornografia diz que as mulheres querem ser agredidas, forçadas e abusadas; pornografia diz que as mulheres querem ser estupradas, espancadas, sequestradas, desfiguradas; pornografia diz que as mulheres querem ser humilhadas, envergonhadas, difamadas; pornografia diz que a mulher diz Não mas quer dizer Sim – Sim para a violência, Sim para a dor.
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Também: pornografia diz que as mulheres são coisas; pornografia diz que ser usadas como coisas preenche a natureza erótica das mulheres; pornografia diz que mulheres são coisas que homens usam.

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A carga do homem branco: a pornografia ‘gonzo’e a construção da masculinidade negra

Por Gail Dines
Tradução Suzan Vitória Girão Lima

O fundador do gonzo é John “Buttman” Stagliano. Sua esposa Tricia Devereaux foi gentil o suficiente para nos dar a definição: “O Gonzo pode assumir várias formas diferentes. Pode variar do operador de câmera (em filmes adultos, muitas vezes o diretor) entrevistando os atores ou participando da cena com diálogo e / ou sexo. Isso também pode significar que os atores simplesmente estão reconhecendo o fato de que há uma câmera filmando o que eles estão fazendo. Então, embora no gonzo adulto o câmera geralmente é visível ou audível, simplesmente os atores atuarem para a câmera constitui uma cena de gonzo.” (NT)

 


Muito já foi escrito sobre a natureza divisória das chamadas “Guerras Pornográficas” que assolou o movimento feminista nas décadas de 1980 e 1990.1 O que anteriormente era uma aliança razoavelmente agradável entre feministas radicais e liberais transformou-se em batalha em grande escala que continua hoje, embora de forma um tanto silenciosa. Embora tenha havido alguns novos jogadores adicionados a este debate recentemente, especificamente feministas pós-modernas, ainda existem divisões claras entre as feministas que argumentam que a pornografia é, na sua produção e consumo, uma forma de violência contra as mulheres, e as feministas que veem a pornografia como tendo consequências subversivas e potencialmente liberadoras para a sexualidade das mulheres. Embora eu estabeleça meus argumentos dentro de um paradigma feminista radical amplamente definido, afirmo que ambos os lados tendem a assumir um sistema de gênero que é neutro para a raça, uma suposição que não pode ser sustentada em um país onde “o gênero provou ser um meio poderoso através do qual a diferença racial foi historicamente definida e codificada “.2

Embora feministas radicais como Andrea Dworkin tenham discutido sobre a sexualização de racismo na pornografia3, houve uma análise limitada de como a pornografia mobiliza e assimila os discursos raciais de maneira a falar com os espectadores masculinos brancos, os “espectadores presumidos”4, de acordo com a revista especializada em pornografia Adult Video News (AVN).5

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Coisas que mulheres disseram sobre lesbianismo no Hite Report de sexualidade feminina em 1976

Por Riese
Tradução Cbrovko

Em 1976, Shere Hite publicou The Hite Report, um inovador estudo sobre a sexualidade feminina. Mais de 3.000 mulheres entre 14 e 78 anos participaram compartilhando seus sentimentos íntimos sobre sexo. O livro abriu muitos olhos e iluminou muitos sobre orgasmos femininos e masturbação.

Nunca antes alguém havia perguntado para mulheres em uma pesquisa como elas se sentiam a respeito de sexo. Pesquisadores perguntavam sempre as perguntas erradas e pelos motivos errados. Situações nas quais pesquisadores diziam para as mulheres como elas deveriam se sentir ao invés de fazer as perguntas certas eram comuns. A sexualidade humana, até então, era vista como dependente da sexualidade masculina e do coito. Não havia a preocupação de encarar a sexualidade feminina como algo individual e com natureza complexa.

De acordo com o Hite Report, 8% das participantes disseram preferir sexo com mulheres. 9% disseram se identificar como bissexual ou disseram ter tido experiências sexuais tanto com homens como com mulheres. Hite enfatizou que “um dos pontos mais impressionantes sobre as respostas recebidas para outras perguntas foi a frequência com a qual mulheres falaram sobre estarem interessadas em manter relações sexuais com outras mulheres mesmo sem que isso fosse perguntado”.

O que vem a seguir são excertos dos testemunhos dados pelas participantes do estudo e que se encontram na parte referente ao lesbianismo no The Hite Report. As respostas foram mantidas da forma como dadas pelas entrevistadas.

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A velha questão da criança do sexo masculino

Por Anna Lee
Tradução Grabriela Fonseca

Assim como nós tentamos fazer tantas coisas diferentemente das que foram feitas antes, nós às vezes nos trancamos em velhos padrões. Um desses velhos padrões é preocuparmo-nos com crianças do sexo masculino. Mulheres sempre foram responsáveis por crianças, especialmente quando o comportamento destas acaba por ser socialmente inaceitável. Esse é um velho padrão. Agora, com a comunidade lésbica, nós continuamos nos vendo como responsáveis dessa forma. Se nós queremos mudar a sociedade e se, como as coisas tem ido até agora, crianças masculinas se tornam homens, e em seguida parece que uma de nossas tarefas é ser responsável por crianças do sexo masculino ao ver que estes tornaram—se não sexistas. E uma vez que crianças do sexo masculino criadas com a comunidade lésbica parecem ser tão sexistas quanto as da comunidade hétero, fora do mundo feminista, nós imaginamos o que fizemos de errado.

Nós não fizemos nada de errado. Acreditar que nós somos responsáveis pelo comportamento sexista das crianças do sexo masculino, nos considerarmos como responsáveis pela falha dessas crianças em adotar valores não sexistas, é trabalhar erroneamente sobre um dos dois conjuntos de suposições: Ou nossa geração de ativistas políticos é a primeira a perceber que o comportamento masculino é inaceitável, e nossas mães e avós se sentiam ‘ok’ por seus filhos tratarem mulheres brutalmente; ou, alternativamente, enquanto nós acreditamos que nossas mães e avós estavam cientes da inaceitabilidade de tal comportamento, que nossas mães e avós eram totalmente incompetentes na criação de crianças não sexistas nós, consideravelmente, somos completamente diferentes em nossas habilidades de criação. Estas são suposições que devemos encarar diretamente (ou imediatamente).

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Lesbianismo político e separatismo

Autora desconhecida

 

 

 

A base do feminismo lesbiano, e também do feminismo radical, é o amor entre as mulheres. Esse é um conceito essencial dentro do feminismo. Seguindo esse conceito, pode-se afirmar que a lésbica é a mulher cuja consciência de si própria e energias (inclusive energias sexuais) são direcionadas às mulheres. Ela se identifica com mulheres, e as procura em busca de apoio emocional, físico, econômico e político. Ela se importa com mulheres, e ela se importa com ela própria. O amor e a amizade entre mulheres são vistos e tratados com hostilidade pela sociedade e cultura supremacista masculina. A amizade feminina foi transformada em um tabu, ao ponto de que há mulheres que repudiam suas semelhantes. Por esse motivo, a sobrevivência do feminismo depende da solidarização entre as mulheres. Se não nos amarmos umas às outras e a nós mesmas, não possuiremos uma base com a qual identificar e rejeitar atrocidades praticadas contra mulheres. Porém, o amor entre as mulheres é mais do que uma versão feminina de camaradagem. Continuar lendo Lesbianismo político e separatismo

A mulher eunuco: Sexo

Por Germaine Greer no livro A mulher Eunuco

I. O Corpo

Sexo

Os órgãos sexuais das mulheres estão amortalhados em mistério. Supõe-se que a maioria deles seja interna e oculta, porém mesmo aqueles que são externos estão relativamente escondidos. Quando as menininhas começam a fazer perguntas, suas mães lhes fornecem, se têm sorte, diagramas crus do aparelho sexual, em que os órgãos do prazer figuram de modo muito menos proeminente do que trapalhadas de canais e ovários. Eu própria não percebi que os tecidos de minha vagina eram perfeitamente normais até que vi uma dissecção gravada meticulosamente num livro de anatomia do século XVIII.1 A menininha não é encorajada & explorar a própria genitália ou a identificar os tecidos que a compõem, ou a entender o mecanismo de lubrificação e ereção. A própria ideia é repugnante. Devido a este estranho pudor, que uma jovem mulher vai descobrir que se estende mesmo ao consultório médico, em que o médico se mostra relutante em examiná-la e relutante em relatar-lhe o que descobre, o orgasmo feminino tornou-se cada vez mais um mistério, ao mesmo tempo em que tem sido exaltado como um dever. Sua real natureza tornou-se matéria de especulação metafísica. Toda espécie de ideias falsas ainda estão em circulação a respeito das mulheres, conquanto tenham recebido prova negativa há uns anos atrás: muitos homens se recusam a abandonar a noção de ejaculação feminina que, embora tenha uma história longa e prestigiosa, não passa de completa fantasia. Continuar lendo A mulher eunuco: Sexo

De quem é esta pornografia, de quem é este feminismo?

Por: Maya Shlayen
Tradução: Patrícia K

“Pornô feminista” não é compatível com feminismo.

Nos últimos anos, uma moda conhecida como “pornografia feminista” ganhou visibilidade. Com filmes e até mesmo um Prêmio de Pornografia Feminista [n/t: Feminist Porn Awards, tradução livre], um número cada vez maior de mulheres está abraçando a ideia de que pornografia, se feita corretamente, é compatível com feminismo.

Mentiras sobre feministas anti-pornô – que nós estamos nos juntando com a direita cristã (não estamos), que nós ignoramos as mulheres na pornografia (não ignoramos), ou que apoiamos a censura (também não) – fizeram parecer que o movimento anti-pornô feminista é rígido, ultrapassado e anti-sexo. Feministas defensoras da pornografia alegam estar desafiando valores sexuais tradicionais, abrindo o caminho para que todos explorem a sexualidade em um novo e desafiante caminho.

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